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Carnaval engajado em causas ambientais

Neste ano, duas escolas de samba levaram à avenida temas que são caros a Herbívora. Em São Paulo, a Águia de Ouro falou da profunda ligação entre humanos e bichos, e alertou para a crueldade no trato com os irmãos não-humanos. A escola – cuja embaixadora foi a apresentadora e ativista de direitos animais Luisa Mell – não utilizou no desfile nenhuma pena, pluma, ou qualquer outro item de origem animal. Como diz o samba-enredo, a “águia vem pedir pra humanidade refletir. É um novo tempo, um novo olhar”. As coisas mudam, baby. A vida convida a questionar velhos hábitos, rever conceitos e transformar. É ótimo que essa reflexão seja apresentada na maior festa brasileira e esteja chegando na cultura de massa.

Já no Rio a Imperatriz Leopoldinense peitou os grandões com um enredo que alerta para as ameaças ao território Xingu e a destruição generalizada da natureza pela ganância humana. Diz o jornal El País: “Apesar de se tratar de um território indígena protegido desde 1961, o entorno do parque [do Xingu] não para de sofrer os impactos do desmatamento ilegal, dos agrotóxicos e da megaobra da usina hidrelétrica de Belo Monte, construída no rio de mesmo nome, no Pará”. O enredo irritou representantes do agronegócio e rompeu o acordo tácito carnavalesco de evitar temas espinhosos. A escola emocionou, levando à avenida lideranças indígenas – inclusive o cacique Raoni. Porém, como ainda não há no mundo vacina contra a contradição, provavelmente as fantasias de gaviões-reais (aves símbolo do Xingu) foram confeccionadas com as penas e plumas dos seus irmãos pobres – faisões, pavões, gansos e avestruzes. O fato de se continuar usando itens de origem animal ao mesmo tempo em que se “simula um ritual de proteção da região amazônica” alerta para a nossa tão conhecida falta de consciência e de conexão*. Quem dera essas duas escolas juntassem os temas. Tá na hora de juntar lé com cré, afinal 😉

*Isso me lembra uma conversa que tive com uma bióloga, dentro de um parque nacional marinho. Ela lamentava que as regras para a pesca da sardinha estavam sendo afrouxadas – enquanto comia um atum, espécie ameaçada de extinção no mundo todo pela pesca indiscriminada.

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Essa sou eu fantasiada de… fundo do mar!

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