Comida vegana em Caraíva

Esse post existe porque tem gente que pensa que é difícil comer vegano na praia, nas férias, em lugares pequenos – tipo vilarejos baianos. Pois então: não é nada difícil comer comida vegana em Caraíva, na Bahia. E acho que o que vou relatar serve de exemplo para outros lugares. As dicas servem, de maneira geral, para qualquer praia. Porque comida vegetal tem em tudo que é lugar!

Fiquei em Caraíva seis dias, em uma pousada que até tinha cozinha disponível, mas não cozinhei muito porque: não estava na pilha e não encontrei muitos vegetais para comprar no comércio local. Caraíva, para quem não sabe, fica no litoral sul da Bahia, perto de Arraial d’Ajuda. Para chegar lá, tem que voar para Porto Seguro, atravessar de balsa até Arraial, e de lá pegar um ônibus que leva umas 3 ou 4 horinhas. E daí ainda tem que atravessar um rio, de barquinho… Dá pra imaginar que não tenha muita coisa de vegetais e frutas frescas (e não vi nenhuma horta). Eu levei hommus e tofu (sobreviveram otimamente a toda a jornada, dentro de uma bolsa térmica). Com o tofu fiz uma refeição, grelhado com cebola. O hommus eu comi com tapioca. E, no mais, vivi muito bem com o café da manhã da pousada e o que encontrei nos restaurantes. Como é comer vegano em Caraíva:

  • Se der, leve alguma coisa, como eu fiz. Pode te salvar na pressa ou quando tu não quer comer fora (a comida em Caraíva tava bem mais cara do que eu esperava).
  • O café da manhã da pousada era a la carte: eles te serviam na mesa. Eu dispensei o iogurte e os ovos mexidos e comi tapioca com geléia (ou o hummus que havia levado), mamão papaia com granola, banana da terra frita. Saía da mesa com a barriga cheia.

    Passarinhos felizes na casa da Duca
    Passarinhos felizes na casa da Duca
  • Tem um restaurante vegetariano/vegano ótimo em Caraíva: o restaurante da Duca. É uma comida simples, bem caseira. Arroz integral, algum preparado com legumes, feijão, às vezes “bife” de soja. Ela usa queijo em alguns pratos, mas é só pedir pra tirar. Mais do que tudo, é um lugar de uma energia indescritível, com passarinhos comendo frutas que a Duca deixa pra eles, a gatinha Fiona, a cachorrinha Belinha, a arte que a Duca faz – e, principalmente, a Duca. Que mora em Caraíva há décadas, cuida dos animais do lugar, organiza campanhas de castração, e dança forró com sua roupinha rodada. Falei pra minha irmã: é assim que quero ser daqui alguns anos… <3 (veja outras fotos aqui)
  • Comemos duas vezes em restaurantes na beira da praia. Em uma praia no meio do nada (Satú, em que se chega caminhando três quilômetros pela areia), enquanto minha irmã comia moqueca de peixe eu comi arroz, feijão e batata sauté. Em Corumbau comi isso também e mais uns legumes refogados. Nas duas ocasiões, fiquei bem satisfeita.

    Arroz, feijão, batata!
    Arroz, feijão, batata!
  • No quesito jantar, merece menção honrosa a Cachaçaria, que fica na rua do rio, bem pertinho de onde chega o barco. Eles têm alguns pratos vegetarianos no cardápio, alguns deles que podem ser adaptados para vegano. Eu comi (duas vezes) uma salada de lentilhas com beterraba e folhas verdes, e um burger de falafel – ambos deliciosos!
  • E tem outro restaurante na beira do rio que tem moqueca vegetariana, que na verdade já é vegana. É com legumes e proteína de soja graúda.
  • Em Caraíva tem apenas um restaurante de comida a quilo, que geralmente facilita a vida para veganos. Não comi lá, mas destaco aqui porque pode ser uma alternativa.
Todo mundo come no Satú
Todo mundo come no Satú

Mesmo se não tivesse a Duca e a Cachaçaria, dá pra ver que não precisei fazer grandes malabarismos. E me alimentei satisfatoriamente até em uma praia semi-deserta. Comi muito carboidrato, ok, com pouca variedade e quase nada de verde. Mas tudo bem comer pior que o ideal por uns dias. Não vou ficar de ferias pra sempre, né? Depois, quando chegar em casa, compenso com muitos vegetais frescos e tofu. Depois de quatro anos vegana, eu sou da teoria de que comida vegetal é a coisa mais abundante, em todo lugar tem. A gente só precisa pedir para os restaurantes adaptarem os pratos. Felizmente, cada vez mais restaurantes atendem os pedidos desse povo “exótico” #sqn

Tem mais coisa pra falar sobre Caraíva, principalmente em relação aos animais de lá. A cidade precisava de frequentes mutirões de castração, porque tem um monte de cachorro – acredito que a maioria tem tutor, mas tem muitos que ficam soltos na praia. E tem também a questão das carroças. Como não entra carro lá – e sequer tem “rua”, o chão é de areia -, o pessoal usa carroças para ir do barco até as pousadas e etc. E tem também os gatos, soltos, selvagens e não castrados. Enfim, mazelas animais infelizmente bem comuns no litoral do país todo. Mas vai ficar pra outro post – porque estou sentada em uma escada suja, no único ponto da ilha no meio do oceano em que estou que tem internet. E agora vou parar de trabalhar e ir pra praia!

Em breve posts sobre a ilha misteriosa (e seus problemas animais – ah, a guria problematiza até o paraíso) 😉

(as fotos desse post estão ruins, é porque fotografei com celular, dsclp)

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