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Comida vegetariana na Cidade do México

As pessoas estão tão acostumadas a uma alimentação predominantemente de carne que até faz sentido a pergunta “como você está se virando para comer em [insira a cidade]?”. Comer comida vegetariana é fácil em qualquer lugar do mundo, porque a quantidade de plantas comestíveis é MUITO maior do que a quantidade de tipos de bichos que as pessoas comem (o termo vegetariano é usado aqui para descrever uma dieta sem nenhum produto animal, incluindo derivados). Então eu, que já não estou mais acostumada às coisas do jeito-que-elas-eram, sempre me espanto com essa pergunta. O problema não é a escassez (inexistente) de alimentos vegetais, e sim o arraigado hábito de comer carne em todas as refeições (e a forma de ver a comida associada a esse hábito). É isso que faz com que essa pergunta seja comum, não importa o país. No domingo, durante o almoço do grupo que visitou comigo as pirâmides de Toetihuacan, uma americana me perguntou isso – em relação ao Brasil. Segundo ela, quando foi a São Paulo só comeu carne. 

Então é claro que já me perguntaram isso sobre a Cidade do México. Respondo aqui:

  • No primeiro dia de caminhada pela cidade eu comprei um saquinho de batata frita.
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    Meu primeiro prato na Cidade do México foi uma torradinha deliciosa com pasta de grão de bico, rúcula e couve-flor

    Aqui tem uns carrinhos tipo de pipoca que as pessoas fritam batata no formato casquinha. Dá pra pedir com ou sem chili. E a moça pergunta se a gente quer que respingue suco de limão por cima. Tava bom, mas eu não curto muito comer fritura.

  • Nos primeiros dias também comi muito pão. A primeira refeição foi em um restaurante que serve croques e tartines (eu sei, é francês, mas eu tava com fome). Olhei no menu e eles tinham pratos amigos de vegetarianos. Então sentei e pedi uma torradinha com pasta de grão de bico, rúcula, couve-flor. Tava ótimo.
  • No segundo dia fui a uma cafeteria totalmente vegana, a Planeta V. Pedi uma coisa que pelo nome não deu pra entender o que era – era um sanduiche coberto por vegetais e acompanhado de uma saladinha. Estava maravilhoso. E ainda comi um brownie de sobremesa.

 

  • Mas também não gosto de me entupir de pão. Sem querer achei um mercadinho natural perto do hostel e comprei um tofu para o café da manhã. E eu trouxe massa de tapioca… dica: fique num hostel com cozinha.
  • Falando no desayuno, hoje a senhora Sandra (cozinheira do hostel) faz pra mim enchilladas de frijoles com hongos (cogumelos). Mas teve um dia que ela não estava, e quem fez os frijoles foi o outro funcionário. Levei um baita susto quando ele despejou leite por cima dos frijoles que estava aquecendo na frigideira. “Aaaaah, pra que leite?” perguntei pra ele. Pra ficar mais macio, gostoso blabla. “Frijoles san buenos solos”, eu disse pra ele.
  • No dia em que visitei o museu da Frida Kahlo, entrei numa casa de tacos e pedi um taco sem carne. “Ah, mas taco tem carne”, disse a moça. Eu apontei para a vitrine: cogumelos, nopales (cactus), feijões… “Não dá pra juntar tudo isso e botar num taco”. Não dava. Ok, saí do restaurante e continuei procurando.
  • Eu estava em Coyoacan, um bairro bem simpático, tradicional, com comércio e comida de rua. Em uma esquina vejo uma senhora tostando, em uma chapa. umas coisinhas azuis em forma de folha. Eram os tlocoyos. Uma espécie de pastelzinho de milho azul, recheado com frijoles refritos (feijão em pasta) ou requeijão. Pedi um de feijão e cobertura de nopales – que é um cacto super comum aqui – e salsa verde. O tlocoyo vem também com queijo ralado por cima, mas aí é só avisar: “sin queso”. Tava tão bom que pedi mais um. Grande achado!
  • Uma coisa muito legal que tem aqui são banquinhas que vendem frutas. Elas existem em todos os lugares, até dentro de estações de metrô. As frutas já vêm descascadas e cortadas. Quebra o maior galho quando a gente tá batendo perna.
  • No dia em que fui ao museu de antropologia comprei uvas e coco. E daí encontrei uma banquinha que fazia uma coisa parecida com os tlacoyos: as tlayudas. A diferença é que a base da tlayuda é uma tortilla crocante, sem recheio. A cobertura é a mesma: frijoles, salsa, nopales. Avise que quer “sin queso”. Como eu fiquei com um pé atrás depois que vi o moço do hostel botando leite no feijão, resolvi perguntar. Nos frijoles da moça das tlayudas não vai leite. A dona Sandra, do hostel, também não põe. Vai ver era só maluquice do menino. Mas convém perguntar sempre.
  • Esses dias encontrei uma banca de tacos perto do centro que tinha taco vegano. Nada mais era que uns pedaços de proteína de soja que eles fritam, mas achei bem simpático.

     

  • Nopales: melhores amigos dos veganos! Eu fui visitar as pirâmides de Teotihuacan com um passeio turístico, daqueles que a van pega no hotel. Depois do passeio fomos em um restaurante lá perto. Não tinha nada vegetariano no menu, mas eu expliquei e rapidinho eles me deram uma sugestão: nopales e vegetais refogados, com arroz, pra enrolar com uma tortilla. Eu completei: pode botar guacamole e frijoles. Ficou ótimo. (um conselho: quando for a Teotihuacan, leve alguma coisa pra comer. A gente passa horas andando entre uma pirâmide e outra e subindo centenas de degraus, e não tem nada pra comer. Tem um monte de vendedor, mas eles só vendem artesanato).

     

  • No último dia na Cidade do México fui a um restaurante vegano indicado por uma amiga nova, brasileira, vegana, que mora aqui. O Temictli. Tem um cardápio incrível que mistura pratos tradicionais mexicanos, veganizados, com modernidades da cozinha baseada em plantas. Mandei baixar: pedi nachos, enchilladas, e uma torta de chocolate maravilhosa pra finalizar.

     

Enfim, não foi NADA difícil comer vegetarianamente na Cidade do México. E também não é caro. A comida de rua – frutas, tlacoyo, tlayuda – custa 25 pesos, o equivalente a R$ 4,50 (em julho de 2017). O taco vegano custou 30 pesos = R$ 5,40. A maioria das refeições em restaurantes não passou de 200 pesos = R$ 36, com bebida e sobremesa. A última refeição, no Temictli, é que foi um pouco mais cara: cerca de R$ 60 (mas, atém da bebida e da sobremesa, eu pedi dooois pratos).

Pra terminar, umas fotos do Mercado Merced, um mercadão de vegetais bem popular da Cidade do México:

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3 comentários

  1. Opa, que bom, Alice! Que a matéria foi útil pra ti 🙂
    Divirta-se na viagem!

  2. Muito legal o seu post. Viajo na semana que vem e como leio nos guias que tudo no México é com base em carne, fui procurar a experiência de um vegano. Interessante que muitas plantas tradicionais da alimentação deles aqui são PANCs

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