vegetariano em cuba

Como é ser vegetariano em Cuba

Não é nada difícil ser vegetariano numa viagem, nem na América Central — vivo dizendo isso. Ok, em Cuba é um pouco mais complicado: não há tantas opções de vegetais, principalmente no verão, e a oferta limitada de restaurantes pode ser um fator de dificuldade. Mas restaurantes existem, e dá pra fazer uma boa refeição por menos de 5 CUC (1 CUC equivale mais ou menos ao dólar). Lembrando que isso é caro para os padrões de um cubano, mas razoável para turistas. Informe-se com seu anfitrião onde estão os restaurantes ou “paladares” próximos. Em Vedado eu fui algumas vezes no Razones, na F entre 5ª e Calzada. Perto de Centro Havana o grande achado foi o restaurante da Asociacion Canaria, que fica atrás do hotel Plaza, na frente do Edifício Baccardi.

 

Em Cuba também vale a regra: para um vegetariano ser feliz em restaurantes, na maioria das vezes tem que desistir de encontrar um prato principal — e procurar nos acompanhamentos. Existem dois acompanhamento, em praticamente qualquer menu, que salvam a vida dos vegetarianos: arroz moro (ou Moros y Cristianos), que é um arroz cozido com feijão, e vianda (fervida ou frita). Vianda é algum tubérculo, como batata doce ou mandioca. Eu costumava pedir arroz moro, vianda hervida, salada (que geralmente vem com abacate) e um suco de manga ou goiaba. O Razones tinha também grão de bico ao curry — não estava no cardápio, mas a garçonete sugeriu quando eu disse que não comia carne. Nos bares de hotéis dá pra pedir um sanduíche só de vegetais. E teve um dia, num bar meio pra turistas, que eu mandei ver num macarrão com molho de tomate (que custou 5,5 CUC).

 

Ah, e em tudo que é lugar tem bananas e plátanos (eu acho que o mesmo que banana da terra no Brasil). Em Cuba existem três tipos de pratos com elas: plátano frito (macio), chicharritas (chips de banana frita) e tostones (esse não dá pra entender direito, a primeira vez que comi pensei que era empanado, mas não é: é plátano frito e amassado e refrito — ou algo assim).

Lanchinhos

Na rua, eu comprei amendoim, milho assado, coco verde. Na praia passam umas pessoas vendendo cachos de uvas. Em um dia de quase hipoglicemia, entrei num café e eles tinham uma espécie de paçoca — mas que era em barra e mais oleosa. Me salvou naquele dia, mas depois não consegui mais comer. Meu conselho é: traga lanchinhos do Brasil (como frutas secas, castanhas, nozes), principalmente se você, como eu, é um ogro vegano (e saudável, ou seja, não tá a fim de encher o bucho de pão e bolacha). 

Café da manhã

Na primeira casa que eu fiquei eles ofereciam café da manhã por 3 CUC. Eu comia frutas picadas (manga, papaya, banana), pão com abacate, suco de manga e café.

Cozinhando

Quando consegui uma cozinha pra mim, comecei a comprar vegetais na feira e cozinhar. Aí sim dá pra comer barato. Eu comprava feijão, mandioca, cebola, tomate, pimentão, plátanos, manga, coco, goiaba, abacate. Tudo bem barato, pois na feira a gente compra com pesos cubanos (uma manga grande custa 10 pesos, mais ou menos R$ 1,50). Em Centro Havana tem várias dessas, além de vendedores com carrinhos de frutas na rua.

Eu costumava fazer uma panela de feijão, mandioca com cebola e pimentão, e purê de plátano (aprendi com Linoy, a israelense vegana crudívora que dança salsa como uma deusa, e que me levou pra jantar na casa onde ela estava ficando). E tacava abacate em tudo, muito e sempre 🙂 O abacate de Cuba é uma delícia, não é seco que nem o avocado e nem aguado que nem o abacate manteiga (aquele de casca fina comum no Brasil). Tem um sabor bem neutro, então é ideal para usar como manteiga no pão ou como complemento de qualquer comida. E amadurece de jeito diferente: continua firme. Se a casca começa a escurecer é porque o abacate já está passando do ponto.

PS: neste site, vegetariano sempre significa comida sem nenhum produto derivado de animais — seja carne, ovos ou laticínios.

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