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Como fazer uma horta em casa  

Muita gente pensa que é difícil fazer uma horta em casa. Ainda mais quando a gente mora em uma cidade e não tem quintal e nem um pingo de terra pra chamar de sua. Eu também pensava. Há anos tinha o sonho de cultivar mais do que hortelã e manjericão; eu queria plantar e colher meu próprio alface, tomate, cenoura. Mas eu não sabia como. Até que duas coisas aconteceram: eu fiz um curso com o agrônomo Marcelo Noronha, no Sabor de Fazenda – e entrei no grupo Hortelões Urbanos, no Facebook.

O grupo me proporcionou inspiração e a ajuda de um monte de gente experiente, amigável e disposta a ensinar e a responder perguntas de iniciantes. E o curso me deu o conhecimento – e a coragem – que faltava para começar a plantar hortaliças. Não precisa muito: foram algumas poucas horas que me ensinaram, ao vivo, o que faltava: como montar um vaso, qual o melhor lugar para uma horta, quanto sol precisa, quanto tempo para cuidar.

Com o tempo, a prática e os estudos (comecei a ler, pesquisar, e fiz outros cursos), comecei a perceber que dá pra plantar em qualquer lugar! E que uma horta urbana tem peculiaridades que são muito divertidas e podem ser revolucionárias e mudar a nossa relação com o bairro, os vizinhos, a cidade (quem tem o hábito de catar coisas em caçambas já se ligou 😉

A horta fica na laje em cima da garagem. Canteiro elevado, Heitor, prédios :)
A horta fica na laje em cima da garagem. Canteiro elevado, Heitor, prédios 🙂

Nem todo mundo precisa ser levado pela mão até a terra para começar sua horta urbana, como eu precisei. Se pra você só falta um empurrãozinho, segue uma lista das primeiras coisas a considerar pra começar a plantar em casa:

  • Espaço. Se você tiver um quintal, ótimo. Mas não é requisito para ter uma horta. Você pode plantar na varanda, na sacada, ou até mesmo na frente de uma janela.
  • Sol. Onde está o sol na sua casa? Para a maioria das aromáticas e hortaliças, é preciso pelo menos cinco horas de sol por dia. Veja o caminho do sol e planeje a localização da sua horta de acordo.
  • Vasos. Se você for um plantador urbano, provavelmente não tem nem meio centímetro de solo na sua casa. Nesse caso, vai precisar de vasos e jardineiras. Os de cerâmica são ideais, porque são porosos e “respiram”. Porém os vasos de plástico são mais baratos. Mas você pode plantar em qualquer coisa! Caixotes de feira, baldes, gavetas velhas, coisas achadas em caçambas, etc.

    Tomateiros no caixote achado na rua e forrado com saco de ráfia
    Tomateiros no caixote achado na rua e forrado com saco de ráfia
  • Terra. Um solo rico é o fator mais importante para o cultivo de hortaliças saborosas. E, na minha opinião, é o ponto mais crítico para o plantador urbano. Se na minha casa não tem nem meio centímetro de solo, como eu consigo terra e garanto que seja rica? Eu, assim como muitos plantadores urbanos, compro terra adubada própria para cultivo. Um colega dos Hortelões Urbanos esses dias me deu outra sugestão: conseguir terra em obras. E tratar bem: peneirar e adubar bastante. Minha amiga Lu Cury, da Aromática Ervas, recondiciona toda a terra que usa nos vasos da horta de casa. É só adubar a terra que já foi usada.
  • Espaçamento entre as plantas. Eu quero aproveitar ao máximo o pouco espaço que tenho, então planto tudo pertinho – mais grudado do que o recomendado. No caso de alfaces e rúculas, isso não importa muito, porque gosto de colher e comer quando ainda são bebês. No entanto, as plantas que crescem mais e demoram mais tempo para dar frutos precisam de mais espaço – caso contrário podem não crescer o suficiente, ou podem fazer sombra umas para as outras.
  • Cobertura. Palha, folhas, restos de poda protegem o solo da perda de nutrientes e do sol.
  • Drenagem. É preciso garantir que a água não fique parada embaixo da planta – caso contrário as raízes apodrecem, dá fungo, etc. Então, certifique-se de que existem furos embaixo do seu vaso. Se não tiver, faça os furos (veja o vídeo abaixo para saber como).
  • Montagem do vaso. Nesse vídeo ensino o passo a passo da montagem de um vaso:

    É bem simples, não tem segredo nenhum – mas eu não sabia qual deveria ser a composição adequada até que aprendi no curso:

    • Pedacinhos de telha para cobrir os furos e evitar que sejam cobertos pela argila (e impeça a água de sair)
    • Argila expandida ou cascalho no fundo
    • Areia ou manta de bidim
    • O substrato é formado por terra, areia e composto (ou húmus de minhoca, ou bokashi). A proporção varia de acordo com o tipo de terra – mas basicamente é: 7 partes terra, 2 partes húmus de minhoca ou bokashi, 1 parte areia. Para ervas e aromáticas, 2 partes de areia.
    • Mistura bem, coloca no vaso.
    • Põe a muda ali no meio. Tente transplantar a muda com o máximo do torrão em que ela veio.
    • Afofa um pouquinho.
    • Coloca mais um húmus ou bokashi ao redor.
    • Cobre com palha, folhas etc
    • Rega!
  • Água. Tem que regar. Provavelmente todos os dias. Dependendo da sua localização geográfica, época do ano, clima, precipitação, duas vezes por dia. Como saber se tem que regar mais ou menos? Observando a cara da planta: se ela estiver murcha, é óbvio! Botando o dedo na terra: muito seca, tem que regar; muito úmida, agora não precisa; completamente encharcada ou embarrada: tu deve estar regando demais, rapaz! Algumas plantas precisam de mais água que outras. E cuidado: algumas plantas (como o tomate) detestam água nas folhas. Regue apenas a terra.
  • Adubo. Em uma horta (ao contrário de numa floresta), você é o responsável por repor os nutrientes do solo. Dali uns 15 dias do plantio, dê uma força para a fertilização fazendo uma adubação de cobertura. Põe mais um pouquinho de composto, húmus ou bokashi ao redor da planta. E, conforme for colhendo, é sempre bom ir repondo os nutrientes do solo. Essa parte é uma das mais complexas do plantar, mas não deixe que isso o desanime. Tem um monte de livros, posts, links, vídeos etc explicando essa parte. Basicamente, o solo precisa de NPK (nitrogênio, fósforo, potássio). Esse post da Cláudia Visoni dá uma visão rápida e boa sobre adubação. O resto você aprende com a prática, com a pesquisa –  e com a necessidade.
  • Poda. Ainda não sei muito sobre isso, mas sugiro que você pesquise. Algumas plantas precisam de uma podinha para darem frutos ou voltarem a dar. No caso do tomate, por exemplo, é recomendável podar as primeiras folhinhas contando a partir do solo – pra fortalecer os galhos dos frutos. Aqui, essa moça explica exatamente o que fazer.
  • Observação e cuidado: se tem uma coisa que aprendi com a horta, e de uma maneira muito clara e direta, é que TUDO em que a gente põe nossa atenção cresce. Seja planta, bicho, pessoa, relacionamento. É preciso observar e aprender a enxergar o que se está vendo. Só através da observação e cuidado você vai saber o que uma planta precisa. Com o tempo, você vai conhecendo as plantas. Vai saber quando uma precisa de mais água, de mais sol, de mais adubo. Você vai começar a ter uma relação com as plantas. Uma horta é uma coisa viva – e não tem receita pronta, não tem garantia de acerto, não tem conhecimento que evite o erro. O mais importante é a vontade e a experimentação. É no FAZER que se aprende. Até me emociono escrevendo isso <3

Veja aqui abaixo algumas fotos da minha primeira plantação de hortaliças, em 2015. E acompanhe o “reality show” da minha horta urbana:

E mais:

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Para quem quer continuar a pesquisa, recomendo fortemente o conteúdo do microcurso que a Cláudia Visoni apresentou no Festival de Agricultura Urbana que aconteceu em agosto em São Paulo.

 

Disclaimer: todas as dicas que dou – sobre comida, bichos, horta ou que for – são baseadas na minha experiência pessoal, no fazer e no estudo independente. Não sou nem agrônoma, nem agricultora, nem chef de cozinha (apesar de ter cursado um ano de agronomia e ter trabalhado em fazenda de agricultura orgânica e como cozinheira em restaurantes).

 

2 comentários

  1. Pingback: Ter uma horta em casa. Isso é agricultura urbana? – Menta90

  2. Wagner Moreira

    gostei….

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