escola de botanica

Escola de Botânica no centro de São Paulo

Em 2005 eu tinha um superpoder: o de olhar para uma planta e dizer seu nome científico. Não todas, claro, mas eu havia acabado de sair da minha experiência de um ano no curso de agronomia; o que eu mais gostava de estudar era botânica, e estava com a matéria na ponta da língua. Pois bem: graças à Escola de Botânica, agora estou começando a recuperar esse lindo superpoder.

A Escola ocupa uma cobertura – que tem mais jardins do que paredes – no vigésimo andar de um prédio no centro de São Paulo, e existe porque Anderson Santos (biólogo e Mestre em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente) quer aproximar as pessoas das plantas. Depois de anos lecionando biologia em escolas e universidades, decidiu se dedicar a espalhar especificamente as maravilhas do mundo vegetal e abriu a Escola em 2015, com a também bióloga e mestra Gisele Oliveira. “O momento em que mais fui feliz profissionalmente foi sendo professor de botânica. Resolvi testar como seria falar disso para as pessoas de maneira mais livre”. Na Escola de Botânica não precisa ser agrônomo, paisagista, agricultor ou biólogo para ter acesso aos conhecimentos mais íntimos e profundos sobre plantas. As aulas são acessíveis mesmo a quem nunca estudou ciências naturais.

E a procura foi muito grande. “Essa foi a maior surpresa. Houve uma aderência quase imediata”. Na Escola, a disciplina de botânica divide as atenções com cursos e workshops relacionados, como aquarela e ilustração botânica, o universo das PANC (Plantas Alimentícias Não-Convencionais), biologia e cultivo de famílias específicas. Veja a lista de cursos e workshops.

Anderson fala aqui sobre as razões da grande procura e do consequente sucesso dessa escola – que, atesto, é muito massa!

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Anderson: as pessoas procuram a reconexão com a natureza

Em que estão interessadas as pessoas que procuram a Escola?
Em ter planta por perto. A coisa que eu mais ouvi a vida toda foi – ah, mas eu não consigo manter uma planta viva em casa. Então a primeira coisa era entender por que isso acontecia e tentar achar os caminhos educativos para que as pessoas pudessem manter a planta em casa, entender e tudo mais. Aí surgiram as oficinas mais simples, sobre como cultivar plantas em casa, e a aderência foi muito legal.

A Escola fica no centro de São Paulo, em plena “selva de pedra”. O que isso traz de diferença para o estudo da botânica?
Uma preocupação que eu tinha era usar a cidade de São Paulo como referência. É uma cidade de concreto, onde você não consegue plantar na rua. Ou você acessa os parques ou você planta em casa, só que as pessoas moram em apartamentos, como é que você vai ter isso em casa? A ideia é trazer um pouco de informação para esse ambiente. Para ser o começo de um processo de educação ambiental: a pessoas começa a cultivar uma planta e dá certo, e ela gosta, e aí ela curte e vai procurar outra, e aí por diante.

Qual o teu propósito em ensinar botânica?
Ser uma sementinha. Por que existe tanto crime ambiental? Por que as pessoas desmatam? Por que a Amazônia some, por que a Mata Atlântica sumiu? Se as pessoas entendesse a importância das plantas para a manutenção de tudo, elas [as florestas] jamais teriam sido tocadas. Dentro dos cursos de biologia regulares no Brasil, o assunto menos abordado é a botânica. Na universidade, no curso de graduação de biologia, o assunto que menos entra é a botânica. Existe um distanciamento da informação real, as pessoas não acessam isso, então a ideia da Escola foi fazer a aproximação com essa informação, para que seja colocada em prática. Se as pessoas começarem a conviver com plantas elas vão ver como é legal e a importância disso para a manutenção dos ecossistemas. E eu vejo nisso um trabalho de educação ambiental por um viés que não é abordado. As pessoas falam da água, do lixo, da poluição, mas a planta é fundamental.

Percebo um grande interesse do público pelo mundo vegetal. Qual você acha que é a razão disso nesse momento?
As pessoas estão buscando coisas que não sejam tão materiais. Existe uma coisa, não sei se é um inconsciente coletivo, se é uma coisa mais geral. De buscar a complementação da vida com coisas que sejam mais ligadas à origem. As plantas são uma tradução disso, e inconscientemente todo mundo enxerga assim – ah, o mato, onde eu morava, onde morava a minha vó, é onde tinha planta. É uma maneira de se conectar com essa coisa mais antiga. O nosso distanciamento das plantas é recente, os nossos pais conviviam com plantas. É da nossa geração pra frente que a gente começa a ter esse afastamento. Então a gente pega aquilo que a gente ouviu da família, dos pais, e tenta trazer para esse novo modelo, que é morar numa cidade de concreto, em apartamento. A Escola tem a intenção de ser essa aproximação das pessoas com as plantas. O desejo das pessoas de estar se aproximando disso é porque cansa ficar dentro de um cubo branco. Isso tem um limite. Como seres humanos, faz parte da nossa essência estar conectado com a natureza – isso é instintivo. A gente está começando a fazer esse resgate por conta disso.

 

SERVIÇO:
Escola de Botânica
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Site: http://www.escoladebotanica.com.br
Instagram: https://www.instagram.com/escoladebotanica

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