A horta após 15 dias de ausência

Quando eu volto de uma viagem um pouquinho mais longa eu sempre colho as evidências daquilo que digo em textos aqui no blog e nas oficinas de horta-em-qualquer-lugar: a coisa mais importante para cultivar vegetais é a presença. O olhar, o cuidado, o estar junto. Pois voltei de uma viagem de 15 dias e o que aconteceu foi o seguinte:

Tirei os tomateiros que já estavam secos e cobri a terra com folhas e matéria orgânica
Tirei os tomateiros que já estavam secos e cobri a terra com folhas e matéria orgânica
  • Quase todos os tomateiros – que, quando eu saí, já estavam bem secos, mas ainda cheio de frutos – cumpriram o seu ciclo. Colhi praticamente os últimos tomates, tinha vários já caídos e já virando matéria orgânica, arranquei do solo os pés secos, podei os que ainda podem dar um caldo. O canteiro grande ficou praticamente vazio – a não ser pelas beterrabas (que eu não sei quando colher! Ainda estão pequenas então eu vou deixando – mas colhi duas, minúsculas) e pela couve-flor roxa gigaaaante que ainda não deu flor.
  • A couve-flor roxa gigaaaante tá com as folhas todas meio retorcidas. Não sei se foi por culpa do óleo de neem que borrifei nelas quando apareceu a primeira infestação de pulgões. Não recomendo óleo de neem, as folhas sofrem.

    couve-flor
    Couve-flor roxa gigaaaaaante e os moranguinhos pendurados
  • Os pulgões, que quando eu fui viajar estavam ameaçando voltar, sumiram. Pode ter sido por dois motivos: um dos meus incansáveis ajudantes ficou borrifando as couves com uma diluição de sabão de coco em água, com um pinguinho de óleo de neen. Ou as joaninhas comeram – sim, apareceram as joaninhas! Coisas mais fofas <3
  • O que aconteceu com o bálsamo e a tansagem? Por que estão nesse estado? Não sei. Muito sol, pouco sol, muita água, pouca água – a ação dos gatos através da tela da janela. Não sei. Não estava aqui pra ver… Se estivesse, provavelmente ia ter percebido o que estava acontecendo e agido para que não acontecesse – mudando de lugar, ou mudando o regime de regas, etc.

    Bálsamo e tansagem, chuif
    Bálsamo e tansagem, chuif
  • Os moranguinhos plantados na lateral do canteiro elevado estão com flores e frutificando pela primeira vez! Yeah!morangos
  • Os outros morangos, os das jardineiras, continuam lindos e saudáveis e dando fruto – mas meus valorosos ajudantes ficaram transfixados pelos tomates e esqueceram de olhar embaixo das folhas dos morangos e vários viraram matéria orgânica.
  • O berçário de manjericão está divino. Várias mudas lindas e saudáveis.manjericão
  • As rúculas de segunda brotação (eu já havia feito uma colheita cortando as folhas e deixando a raiz para darem de novo) foram comidas ou pelos pulgões ou por lagarta e eu arranquei do canteiro.
  • Cecília, a pitangueira que mora na laje de trás da casa, perto da cozinha, está cheia de frutos, mas também está com um fungo na parte em que fica coberta pelo telhado da edícula – portanto na sombra o ano todo. Vou puxar Cecília para o sol e ver o que acontece (ela está em um vaso enorme e é tudo super pesado, mas está apoiada sobre uma base de madeira com rodinhas).pitanga
  • No mais, fiz uma limpa geral. Não costumo tirar as plantinhas que nascem independentes nos canteiros, mas chega uma hora em que elas começam a roubar espaço e nutrientes. Tirei algumas delas e praticamente todas as gramíneas (muito agressivas e competem demais).

No ano passado eu fui viajar e, quando voltei, um dos tomateiros que estava bem saudável tinha morrido, sabe-se lá por quê. Contei essas história num post dos Hortelões Urbanos e uma moça disse que já não viajava muito por causa dos gatos, e agora ia ter que se preocupar também com os tomates! É engraçado, mas é mais ou menos por aí. Os valorosos ajudantes ajudam muito, mas não moram aqui. Não estão lá na horta para olhar toooodos os dias, para passar tempo cuidando. Não foram eles que plantaram, não sabem o que já aconteceu. Como diz João Francisco Neto no Manual de Horticultura Ecológica:

A “mão boa” para plantar não é conto da carochinha. Na verdade é a reação sensível da planta ao calor humano. Os físicos descobriram que até os elétrons se comportam de maneira especial ao serem observados. Por que não as plantas?

Valeu, valorosos ajudantes! Agora começa a coleção primavera-verão na horta da Casa Herbívora! E agora deixa eu ir que os bichos estão com mais saudade de mim do que as plantas – vide o Guri que veio se deitar entre eu e o computador <3

gato

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Quer aprender a começar a sua hortinha? Vai rolar mais uma oficina de horta-em-qualquer-lugar no dia 19 de novembro!

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2 comentários

  1. Alê, adoro o seu blog! Me tira uma dúvida, essa manchinha preta e cinza que aparece no manjericão (o seu está com uma única folha assim), o que é? É fungo? É ruim? Meu manjericão tá lindo, mas vive aparecendo essa coisa nas folhinhas.

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