agricultura urbana

Por que plantar na cidade

Disse Bill Mollison* que “a maior mudança que temos que fazer é ir do consumo para a produção, mesmo que numa pequena escala em nossas hortas”. Para quem pratica a agricultura urbana, a pequena escala é a chave. A gente planta em laje, sacada, canteiro, parapeito de janela, às vezes até numa praça ou terreno maior – mas a brincadeira não é perseguir a auto-suficiência em vegetais, e sim ser um facilitador das maravilhas da natureza e ver acontecer a mágica de uma semente se transformar em comida! Cultivar teu alimento te tira da lógica do consumo e te coloca na lógica do fazer – mesmo que seja em pequeníssima escala. Listei aqui cinco motivos para você plantar na cidade, seja qual for o tamanho do seu roçado:

  • Socializar com a vizinhança. Se você planta em uma horta comunitária, vai conhecer os moradores do seu bairro, conviver com desconhecidos, fazer novos amigos, responder perguntas de passantes curiosos, combinar escalas de rega, compartilhar colheitas com pessoas que só viu de chapéu de palha. Se você planta na sua casa, mais dia menos dia vai oferecer o excedente da sua produção para algum vizinho – e vai querer contar pra todo mundo na padaria, na fila do supermercado, no posto de gasolina sobre a beleza dos tomates que você mesmo plantou e colheu.
  • Reconexão com os ciclos da natureza. Quando você começa a plantar, vai aprendendo a observar. E percebe que não adianta ter pressa: as coisas têm seus tempos para acontecer. O composto não vai compostar mais rápido, a semente não vai germinar depressa, a planta não vai florescer na velocidade que você gostaria. Você começa a relacionar aquilo que vê acontecendo na sua horta aos ciclos naturais: estações do ano, quantidade de horas de sol, fases da lua. Observando a horta mudar suas cores e tamanhos, e o que chamamos de lixo se transformar em adubo na compostagem e voltar ao solo, a gente vai ficando mais paciente. Mais calmo. Nossos ciclos internos vão se alinhando ao ritmo do mundo natural.
  • Ocupação e retomada do espaço público. As hortas comunitárias cumprem um importante papel social: o de levar as pessoas para a rua em cidades feitas para prédios e carros. Em uma cidade que expulsa moradores de rua das calçadas e expulsa os moradores antigos dos bairros valorizados, fincar uma horta numa praça, num canteiro, num terreno público é resistência, é afirmar que a cidade é nossa também – e não do mercado, da iniciativa privada, das construtoras e dos carros.
  • Fazer uma coisa com suas próprias mãos. Quem aí está de saco cheio de passar os dias na frente de um computador? Pois é. Vai lá fora AGORA e planta um tomate!

  • Economizar. Tudo bem que é pequena escala, mas de vez em quando rola uma super abundância! No ano passado quase fui afogada em tomates. Agora em 2017 são as mudas de morango que estão enlouquecendo e ameaçando invadir até a laje do vizinho. Alguma coisa você vai deixar de comprar. E vai comer alimento fresco e sem veneno de graça, colhido ali no seu quintal – é só abrir a porta da cozinha.

Se joga!

*Bill Mollison, junto a David Holmgren, sistematizou a permacultura.

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Quer aprender como começar sua horta? Aproveita que no próximo final de semana tem oficina de Horta-em-qualquer-lugar na Casa Herbívora.

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