Procurando Ioiô – sobre adoção responsável

A gatinha da minha amiga June saiu de casa e demorou mais de 24 horas para voltar, coisa que nunca tinha feito. Enquanto ela estava sumida e a minha amiga com o coração na mão (e postando avisos de procura-se no Facebook), ficamos conjecturando o que podia ter acontecido com a Ioiô.

– Alguém viu na rua e pegou – diz June
– Mas que tipo de pessoa pegaria uma gatinha na rua sem saber se tem dono? – diz a outra amiga, Elisa
– EU! Eu sou esse tipo de pessoa – digo eu, claro

Mas não só eu:

Tipo isso. Sou dessas.
Tipo isso. Sou dessas.

Isabela é meu tipo de pessoa 😉

Por que eu, ela e mais uma porção de gente pegaria um gato como a Ioiô (ou esse amarelinho fofo) na rua? Se está na rua, provavelmente é porque:

  • Fugiu
  • Foi abandonado
  • Nasceu na rua e nunca teve casa

Todos esses são motivos para eu pegar um gato (mas nem sempre eu posso, portanto nem sempre eu pego). E o que eu faria em seguida:

  • Levaria para casa e manteria separado dos meus, até fazer exames de Fiv e Felv
  • Se o gato estivesse ferido ou obviamente doente, levaria no veterinário
  • Faria cartazes para colocar na rua e anunciar no Facebook, para achar o eventual dono
  • Castração
  • Se o dono não aparecesse, ia fazer uma campanha para a adoção

E se o dono aparecesse? Eu ia lá conversar com ele e explicar sobre adoção responsável.

A adoção responsável de animais domésticos parte do princípio de que o tutor tem deveres para com o animal. Afinal, é uma vida, que depende dele – e não um bicho de pelúcia. O tutor tem que se comprometer a abrigar, alimentar, tratar (vacinas, castração, acompanhamento veterinário frequente) e dar carinho e companhia ao seu bichinho. E cuidar para que não fuja e acabe nas ruas – aí entra a importância de telar as janelas das casas que têm gatos.

A ONG Arca Brasil criou os 10 mandamentos da adoção responsável:

  1. Antes de adquirir um animal, considere que seu tempo médio de vida é de 12 anos. Pergunte à família se todos estão de acordo, se há recursos necessários para mantê-lo e verifique quem cuidará dele nas férias ou em feriados prolongados.
  2. Adote animais de abrigos públicos e privados (vacinados e castrados), em vez de comprar por impulso.
  3. Informe-se sobre as características e necessidades da espécie escolhida – tamanho, peculiaridades, espaço físico.
  4. Mantenha o seu animal sempre dentro de casa, jamais solto na rua. Para os cães, passeios são fundamentais, mas apenas com coleira/guia e conduzido por quem possa contê-lo.
  5. Cuide da saúde física do animal. Forneça abrigo, alimento, vacinas e leve-o regularmente ao veterinário. Dê banho, escove e exercite-o regularmente.
  6. Zele pela saúde psicológica do animal. Dê atenção, carinho e ambiente adequado a ele.
  7. Eduque o animal, se necessário, por meio de adestramento, mas respeite suas características.
  8. Recolha e jogue os dejetos (cocô) em local apropriado.
  9. Identifique o animal com plaqueta e registre-o no Centro de Controle de Zoonoses ou similar, informando-se sobre a legislação do local. Também é recomendável uma identificação permanente (microchip).
  10. Evite as crias indesejadas de cães e gatos. Castre os machos e fêmeas. A castração é a única medida definitiva no controle da procriação e não tem contra-indicações.

A casa da June e da IoIô é uma selva, praticamente. Os telhados são ligados aos telhados dos outros vizinhos, as árvores começam em uma casa e terminam em outra. Se a amiga fosse telar, teria que cortar algumas árvores e praticamente embrulhar a casa em uma redoma.

Tipo isso, sem a neve
Tipo isso, sem a neve

Só nos resta torcer pra Ioiô ter aprendido a lição e não querer mais se aventurar fora de casa. Afinal, a felina já tem uma verdadeira floresta no próprio quintal. Mas vai entender os gatos, né? <3

PS: Todos os textos sobre bichos deste site partem do princípio de que, enquanto existirem animais vagando pelas ruas, temos responsabilidades em relação a eles: abrigar, alimentar, castrar, tratar, encaminhar para adoção. Herbívora é contra a compra e a reprodução de animais. Animais não são objetos (por isso também não utilizamos o termo “posse”).

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