Se formou? Vai viajar!

Atenção: texto de 2009 com colchetes de 2016. 

Na Salve [agência em que eu trabalhava na época] tem umas pessoinhas muito bacanas, criativas, talentosas e fofas, que acabaram de se formar ou que ainda estão na faculdade. Sempre que eu tenho oportunidade, digo para elas pedirem demissão e ir viajar. Pra que a pressa, afinal? Hoje em dia a pessoa se forma cedo e sai da faculdade já empregado. Dali uns meses, um ano, compra um carrinho. Mais uns anos, e casa. Daí já foi promovido, mudou de emprego, compra um apê, em 360 meses [só??]. É obrigado a aguentar talvez um trabalho que não gosta, pois agora tem que pagar o financiamento, a TV de 800 mil polegadas, o carro zero km, as despesas que vêm com o primeiro filho. E um dia a pessoa se dá conta de que aquela vai ser sua vida, pra sempre. E ela só tem 25 anos…

Ok, tem um monte de outras coisas que podem acontecer na vida. Receber uma proposta para trabalhar em outro país, fazer mestrado, mudar de profissão, sair do armário, virar professor, abrir sua própria empresa, mudar de estado. Mesmo assim, pra que começar tão cedo? A pessoa vai trabalhar a vida inteira numa agência/redação/escritório. Se for viajar um pouco, as agências/escritórios/redações ainda vão estar aqui quando voltar. É muito mais fácil fazer isso quando é jovem. Depois, a pessoa começa a ganhar melhor e é mais difícil abrir mão do salário – além do medo de não conseguir voltar para o mercado.

Mas, como diz o escritor britânico Tom Hodgkinson, essa busca por segurança e dinheiro leva ao estresse e ao tédio. “O problema do trabalho nas corporações é que as pessoas começam a se acostumar com o tédio. Passam a achar que a situação é normal. Com o tempo, você se acostuma, ganha poder e um salário maior. Mas isso é apenas uma compensação por ter deixado a vida de lado”.

Quando a gente é muito jovem, não deve ter pressa de entrar num emprego (naturalmente, estou falando da classe média, e não de quem tem que ajudar a comprar comida para os irmãos). É preciso ter experiências, arriscar. Ganhar conhecimento da vida. As agências pagam tão pouco, principalmente para os juniors, porque as pessoas disputam as vagas a tapa. Se todos os juniors fossem viajar (pro exterior ou no Brasil mesmo, mochilar pelo nordeste fazendo uma graninha em restaurantes e pousadas), e voltassem menos juniors, as agências iam ter que pagar mais.

Aliás, esse conselho eu espalho também para os nem tão jovens. Quando acontece de um amigo perder o emprego, sempre vejo como uma grande oportunidade. De finalmente se livrar de um trabalho que não gostava, de se mexer e procurar um assunto mais interessante, de tirar uns meses para ir viajar, estudar alguma coisa, olhar pra dentro de si, pensar na vida.

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