Uma casa permacultural em Cuba

A Fundación António Núñez Jiménez de La Naturaleza y El hombre é uma organização não-governamental cubana que trabalha para promover a sustentabilidade e conservação do meio ambiente no país. Uma das linhas de atuação da fundação é o incentivo à permacultura em Cuba, como forma de ação civil para o fomento de comunidades sustentáveis. A Fundação capacita e acompanha hortas permaculturais em 24 localidades. Visitei o sistema de Jesús Sánchez, que fica no bairro de Los Pino, a cerca de oito quilômetros do centro de Havana. A horta existe desde 2009. Sánchez começou a implementar técnicas de permacultura depois de um curso promovido pela FANJ – primeiro no quintal de casa e depois incorporando o terreno vizinho, que estava vazio e foi cedido em usufruto pela governo municipal de Havana. Hoje seu espaço é local de encontros, cursos, intercâmbios, e o permacultor já recebeu diversos reconhecimentos pelo trabalho.

O sistema de Sánchez é uma amostra de várias técnicas permaculturais. Tem:

  • Banheiro seco
  • Coletor de água da chuva
  • Vermicompostagem
  • Tanque de peixes
  • Filtro de água cinza
  • Desidratador solar
  • Círculo de bananeira
  • Área de descanso – onde as crianças da escola do bairro têm aulas semanais

Hoje Sánchez planta habichuela (uma espécie de feijão), boniato (batata-doce), uva, manga, plátano, ervas e aromáticas – além de verduras variadas dependendo da época do ano. “Economizamos de 200 a 250 pesos por mês com o que plantamos. E muitos vizinhos vêm buscar plantas medicinais”. Na propriedade também se criam galinhas, peixes, coelhos e porquinhos da Índia (eu sou contra a utilização de animais para qualquer coisa, ainda mais para comer – mas eu também sou repórter).

A parreira no teto da casa é a grande atração. Antes, ali existia um teto verde. Mas deu infiltração e Sánchez substitui pela parreira. “Garante ventilação, sombra, e a fruta”.

O banheiro seco tem separação entre sólidos e líquidos. A urina é misturada com água (1 litro de xixi para 10 litros de água; fica descansando por 40 dias e depois vira adubo líquido para árvores). O cocô fica compostando por seis meses e depois vai para o minhocário. “O sistema se fecha: sai da terra e volta para a terra”.

Sánchez já plantava antes de conhecer a permacultura, mas com métodos convencionais. “Com a permacultura aprendi a cuidar da terra e a importância da diversidade”. A vizinhança inteira participa da horta, seja doando materiais – como garrafas que são utilizadas para definir contornos de canteiros – ou participando da colheita. Ele também promove intercâmbios com outros agricultores e troca de sementes. “Uma pessoa não tem que fazer tudo sozinha. Tem que começar, e os outros ajudam”.

Veja a galeria de fotos da horta permacultural de Sánchez:

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